quinta-feira, 13 de julho de 2017

MAR DE COLHEITAS





Chamo-te
para deixares nas areias
um beijo côncavo
mas tu permaneces
até a memória arder
os últimos barcos
e as algas discernirem
de olhos fechados
todos os ritmos das marés

chamo-te
para uma cama impoluta
onde se ateia o fogo
convergem todos os azuis
o cântico dos náufragos
mas tu permaneces
num grito de alvorada
incandescente flor
mar de colheitas

Eufrázio Filipe



14 comentários:

redonda disse...

Gostei.
um beijinho e bom fim-de-semana

Pedro Luso disse...

Caro Eufrázio Filipe gostei do seu poema,com sua bela construção poética. Parabéns.
Um abraço.
Pedro

Agostinho disse...

O poeta canta a espuma
num mar farto de poesia.

Se o mar é campo propício
porque não hão-de as promessas
florir do fim ao princípio?

Abraço.

Arco-Íris de Frida disse...

É preciso saber chamar, para poder colher... o mar é sempre o cupido...

Cidália Ferreira disse...

Fantástico!!

beijos

JANE GATTI disse...

Ah, a força desse "mas". Impede a concretização dos anseios do poeta. Entretanto acredito que ele guarda em si a força e a constância do mar, que incansável beija a praia, avançando sempre em forma de marés. Ele não desistirá nunca...

© Piedade Araújo Sol disse...


se o chamamento foi feito
novos ventos se levantam...

bom final de semana

:)

Elvira Carvalho disse...

Excelente.
Um abraço e bom fim de semana

Marta Vinhais disse...

O "mas" com que a Vida nos responde... Mas, apesar do "Mas", não desistimos...
Belo...
Beijos e abraços
Marta

jrd disse...

Na areia só mesmo um beijo côncavo.
Belo poema.

Abraço fraterno

Olinda Melo disse...


É bom recolhermo-nos em nós e adivinharmos os ritmos
das marés, daquilo que vem e que vai, enquanto os sons
das ondas nos embalam ou nos despertam do nosso marasmo.

Abraço

Olinda

manuela barroso disse...

Porque as ondas nos acenam com várias chamadas
assim será o cântico dos olhos.
Beijo EF.

Diana Fonseca disse...

E que bom que permanece. Gostei muito.

Graça Pires disse...

Chamaste e o teu regaço ganhou o som de um grito da alvorada e todos os cheiros da maré-cheia... Poema lindíssimo, meu Amigo.
Uma boa semana.
Um beijo.